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Waléria Assunção relata resgate dramático em Queimadas, mordida ao salvar cadela e desabafa contra impunidade

Entrevista exclusiva: Em conversa com Fátima Silva, a vereadora Waléria Assunção detalha o resgate de animal em estado crítico em Queimadas e cobra rigor das autoridades. Foto: Reprodução / Blog Fátima Silva
Em entrevista contundente concedida à jornalista Fátima Silva, a vereadora Waléria Assunção (PSB) relatou os bastidores do dramático resgate de uma cadela da raça pitbull vítima de extrema crueldade na zona rural do município de Queimadas. O caso culminou no acolhimento do animal pela própria parlamentar, em ferimentos sofridos por ela durante o período de adaptação e em um forte desabafo contra a sensação de impunidade que ainda cerca os crimes contra animais.
A ocorrência chegou à Polícia Civil por meio de denúncia anônima. No local, os policiais encontraram o animal amarrado ao relento, exposto a sol e chuva, em estado caquético, sem comida e sem água potável. Embora o tutor tenha sido autuado em flagrante, a falta de estrutura do município de Queimadas para acolher o animal fez com que a cadela permanecesse inicialmente no imóvel.

Socorro emergencial e custos particulares

Diante da gravidade da situação, Waléria acionou a equipe de veterinários da Gerência da Causa Animal de Campina Grande para a elaboração do laudo técnico que atestou formalmente os maus-tratos. Constatando que o animal corria risco iminente de morte, a vereadora transportou a cadela em seu próprio carro para uma clínica particular de Campina Grande, custeando do próprio bolso cinco dias de internação, exames laboratoriais e início do tratamento contra leishmaniose.
Após receber alta, a cadela foi abrigada provisoriamente na residência da vereadora. Por apresentar comportamento territorialista com outros animais, ela acabou entrando em conflito com um dos cães da casa. Ao tentar apartar a briga, Waléria foi mordida e precisou de atendimento médico no Hospital de Trauma, onde iniciou o protocolo profilático. O animal permanece em observação monitorada e, após o período de quarentena, será encaminhado à responsabilidade oficial do município de origem.

"Sensação de enxugar gelo": Desabafo contra a soltura de agressores

O ponto central do desabafo da vereadora foi a decisão judicial que concedeu liberdade provisória ao tutor do animal logo no dia seguinte ao flagrante: "A sensação é horrível, é dar murro em ponta de faca, de enxugar gelo. O protetor vai lá, resgata, arca com custos altíssimos de tratamento, arrisca a própria integridade física para fazer o trabalho que caberia ao Poder Público, enquanto o autor da crueldade é solto 24 horas depois para responder em liberdade", criticou.
Waléria destacou que a legislação federal prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para casos graves de maus-tratos a cães e gatos, mas apontou que a interpretação benevolente nos tribunais tem enfraquecido o efeito pedagógico da lei: "A polícia tem feito a parte dela, investiga, prende em flagrante e remete as provas. Mas quando chega ao Judiciário, muitos magistrados parecem não enxergar a gravidade desse crime. A impunidade é o maior combustível para a continuidade da violência", pontuou.
A parlamentar relembrou ainda outro caso chocante recente registrado em Queimadas, o de um cão que foi agredido e queimado vivo em uma fogueira, cujo autor permanece preso preventivamente na cadeia pública local, cobrando que as prefeituras estruturem abrigos públicos e que a sociedade civil mantenha a pressão por punições severas aos agressores. 

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