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"Se eu parar de cantar, eu morro": Santinha desabafa sobre racismo, machismo e a vida dedicada à viola no Cine São José

Voz de resistência: Aos 76 anos, poetisa pernambucana relata meio século de enfrentamento ao preconceito nos palcos do repente | Foto: Reprodução / Vídeo Oficial
Nos camarins do Cine Teatro São José, logo após encantar a plateia de Campina Grande com rimas e improvisos afiados, a consagrada repentista pernambucana Santinha conversou com a jornalista Fátima Silva. Com 76 anos de idade e 56 dedicados à cantoria de viola, a artista falou com franqueza sobre os estigmas e barreiras que superou ao longo de sua trajetória.

A poetisa relembrou a desconfiança que enfrentou para consolidar seu espaço na cantoria popular nordestina: "Sofri muito preconceito por ser filha de agricultor da roça, por ser pobre, por ser negra e por ser mulher. O povo dizia que não valia nada, que não prestava. Mas eu demonstrei e mostrei para todos que sou uma mulher de qualidade e honrei o meu nome e a minha profissão", declarou.

A cumplicidade do marido e a rotina com a viola

Durante o diálogo, Santinha fez questão de lembrar com carinho o papel de seu falecido companheiro, com quem foi casada por décadas e de quem é viúva há seis anos. Ela destacou que ele foi um apoiador incondicional de sua arte, compreendendo as viagens, a convivência com os colegas de palco e confiando plenamente em seu trabalho.

Mantendo uma rotina ativa com estudos, viagens e práticas de pilates, Santinha reafirmou que sua existência permanece indissociável da cantoria: "Não preciso parar de cantar. Se eu parar de cantar, eu morro. A minha vida só faz sentido com a viola", concluiu a repentista.

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